segunda-feira, 9 de abril de 2007

FRAGMENTOS DE UMA RESENHA E OUTRAS ANOTAÇÕES

Do livro História das teorias da comunicação

Nos últimos anos, Armand Mattelart vem realizando um audacioso projeto: escrever a história das mídias, das teorias que as envolvem e dos processos de comunicação sob os mais diferentes aspectos. Do ponto de vista do leitor brasileiro, primeiro foi a vez do livro Comunicação-Mundo (Petrópolis, Vozes. 1994). Agora, a Loyola lança este História das teorias da comunicação.
Se Comunicação-Mundo organizava-se em três grandes blocos, a guerra, o progresso tecnológico e a cultura, este novo trabalho é mais fragmentário, mas ao mesmo tempo, mais definido. Ele se desdobra em sete grandes capítulos que vai abrangendo as diferentes fontes teóricas, espalhadas pelas diferentes disciplinas que, ao longo dos dois últimos séculos, e às vezes até bem antes, terminaram por influenciar a maneira de conceber, discutir e pensar os processos de informação (conseqüentemente, de comunicação) existentes hoje em dia no mundo. Por isso mesmo, a mesma característica do livro anterior, ainda que em percentuais menores, a reiteração de alguns enfoques, ainda que sob novas perspectivas, ocorre também neste trabalho.
Partindo do reconhecimento de que “a noção de comunicação recobre uma multiplicidade de sentidos” (p. 9), Mattelart evidencia que a ciência da informação, por ser disciplina nova, dependeu de outras muitas disciplinas para formar seu corpus conceitual. Assim, a partir das sociologia, da antropologia e dessas áreas afins, Mattelart recupera, dentre outros, o contemporâneo conceito de rede de comunicação (p. 15 e ss.), que reencontrará no último capítulo (p. 157 e ss.), quando sintetiza: “a sociedade é definida em termos de comunicação, que é definida em termos de redes”. Assim, retoma a perspectiva da cibernética, sublinhando que a mesma “substitui a teoria matemática da informação” na contemporaneidade.
Reunindo os princípios da Escola de Chicago, e depois destacando a importância da Escola de Palo Alto, recuperando a contribuição vanguardista de Harold Lasswell e os princípios da mass communication research (p. 36 e ss.), Mattelart chega ao modelo matemático de Shannon, que cruza com o conceito cibernético de Wiener, para depois enveredar pela indústria cultural e as perspectivas desdobradas, a partir das matrizes marxistas, pela Escola de Frankfurt e, complementarmente, pelo estruturalismo francês e norte americano, bem como pelos cultural studies de Birmingham, até o conceito de sociedade global que, afirma ele, tem sua origem no conhecido mas nem sempre justamente valorizado ensaio de Marshall McLuhan War and peace in the global village de 1969.
O volume incursiona ainda pela valorização das práticas cotidianas, revalorizando a contribuição da etnometodologia, do agir comunicativo de Jürgen Habermas – que dava um passo além da teoria crítica frankfurtiana – para chegar aos estudos dos usos e gratificações dos funcionalistas norte-americanos, concluindo pela potencialidade híbrida dos processos de comunicação como parte de sua natureza.
A lição mais genérica e universalizadora que se pode tirar desta nova obra de Mattelart é que, na verdade, tanto uma história dos meios de comunicação quanto dos processos, suas tecnologias ou teorias a respeito da comunicação, podem variar infinitamente segundo os diferentes pontos de partida que se tomem. Ou seja, se é verdade que não existe uma única teoria da comunicação, como quer Sandra Reimão (“Teoria ou Teorias da Comunicação” in INTERCOM-Revista Brasileira de Comunicação, S. Paulo, INTERCOM, Vol. XVII. n. 2, julho-dezembro de 1994), não menos verdade é que inexiste uma única história, quer dos meios, quer dos processos ou das tecnologias da informação. O desafio mais provocante, pois, é justamente esta abertura imensa que a área nos concede, não apenas porque é um campo de conhecimento ainda novo, mas porque, justamente, lida com um fenômeno que, por si só, é uma mescla de diferentes fenômenos porque, na verdade, se encontra, se cruza, enriquece e é enriquecido por todos eles. Esta lição de grandeza e, ao mesmo tempo, de humildade, deve ser o grande saldo da leitura deste novo livro de Mattelart que, como sempre, é fascinante, e tão mais fascinante tem se tornado à medida em que o autor, como já frisei a respeito do trabalho anterior publicado em língua portuguesa, distancia-se da camisa-de-força da análise marxista ortodoxa. MATTELART, Armand – História das teorias da comunicação, S.P, Loyola, 1999, 220 páginas.
Com o surgimento da Sociologia, resultado de duas revoluções ocorridas no Século XVIII, a Industrial e a Francesa, os estudos dos fenômenos sociais se dividiram duas propostas teóricas, dois posicionamentos opostos diante do mundo: o positivismo e o marxismo; este, pretendia modificar a estrutura de classes vigentes.
Texto: Antonio Hohlfeldt – Profº. Coordenador PPGC-FAMECOS/PUCRS
Revista FAMECOS.Porto Alegre.Nº 11.Dezembro de 1999.semestral
Fragmentos: Prof. Jorge Luiz Malkomes Muniz

quarta-feira, 7 de março de 2007

Itens de AVALIAÇÃO


Assiduidade
Não quer dizer presença na Faculdade, mas sim em sala de aula.
Autonomia
Estarei analisando a independência intelectual e que segundo Kant (1724-1804), autonomia é a capacidade apresentada pela vontade humana de se autodeterminar...
Avaliação escrita
Exercícios respondidos em sala, trabalhos de pesquisa em grupo e individual e todo material escrito solicitado durante o período, prova,etc
Compromisso
Análise da conduta e da atuação em sala de aula, observando as datas de entrega dos trabalhos e/ou atividades, bem como qualquer ação que se faça necessário ter atitude para o cumprimento da mesma.
Cooperação
Ações e atitudes de interação com os colegas, com o professor e/ou qualquer outro membro da comunidade educacional dentro ou fora da sala de aula.
Criatividade
Qualidade da execução das atividades acadêmicas, bem como as ações e/ou atividades elaboradas e/ou criadas em sala de aula.
Domínio do conteúdo
Forma pela qual o aluno fornece um retorno sobre os conteúdos ministrados em sala de aula e/ou nos trabalhos e ações desenvolvidas.
Participação
Forma como o aluno atuará em sala de aula e/ou nas atividades e ações desenvolvidas durante o período letivo
Reflexão
Forma com o aluno reflete os conteúdos e analisa os trabalhos desenvolvidos dentro e fora da sala de aula.
Trabalho em grupo
Desempenho, participação e atuação sob os trabalhos executados fora e dentro da sala de aula

domingo, 4 de março de 2007

Continuação - Parte I - Apostila

2.1.3 Materiais e caracteres das escritas

Do ponto de vista material, toda escrita é traçada sobre um suporte ou, como se diz, sobre um registro "material subjetivo", com auxílio de um instrumento manejado mais ou menos habilmente por um gravador ou por um escriba, seja fazendo incisões, com um estilete, seja com um produto colorante. Segundo esse ponto de vista, toda escrita apresenta uma série de caracteres que lhe são próprios e que pertencem ao grupo social, à língua e à época da qual ela é expressão, mas também ao registro material subjetivo, à natureza do instru¬mento, à mão e aos hábitos do escriba. Antes de entrar no estudo das diferentes escritas históricas e atuais, é preciso conhecer esses materiais, esses instrumentos e esses gestos, cuja influência sobre o desenho das letras não se pode negligenciar, e definir “as noções relativas aos caracteres dessas escritas.

Outrora, numerosas substâncias serviram de suporte às escritas e são ainda empregadas em situações excepcionais. Matérias duras como a ardósia, os tijolos, os cacos de cerâmica, o mármore, o osso, o vidro, o ferro, o bronze e outros metais trazem as tradicionalmente chamadas inscrições.

A pedra sempre foi o suporte por excelência das escritas monumentais. Os hieróglifos egípcios, as inscrições hititas, os fragmentos de Biblos, os caracteres monumentais gregos e latinos são gravados na pedra dura ou, vez por outra, incisos em relevo. A escrita dita cuneiforme da Suméria e da Ásia anterior era, por outro lado, preferentemente traçada em tabuletas de argila fresca, depois cozidas ao forno. Os mais antigos caracteres chineses são gravados no bronze ou no casco de tartaruga. No tempo de Maomé, os árabes usavam muito ossos de camelo.

O uso de materiais menos duros e perecíveis tem, em geral, dado às escritas formas mais livres e mais cursivas. Foram utilizadas madeira, casca de árvores, folhas de palmeira, tela, seda, peles de animais e tabuletas de cera.

A folha de palmeira teve um grande sucesso no mundo indiano. Antes do papel, os chineses utilizaram lâminas de bambu e seda crua. O couro foi também um dos primeiros suportes das escritas arábicas. A Rússia medieval empregava a casca de bétula (descoberta de Novgorod). O uso de tabuletas cobertas com cera, reunidas aos pares, por três ou em número maior (dípticos, trípticos e polípticos), era comum em Roma. Foram recentemente descobertas na África do Norte tabuletas - chamadas tabuletas Albertini, nome do estudioso que por primeiro as estudou - que usavam a própria madeira como suporte para a escrita. Elas datam da época vândala, (fim do século V). O uso dessas tabuletas de madeira se mantém até hoje no Marrocos.

O papiro, o pergaminho e o papel são os registros materiais subjetivos da escrita mais comuns desde o princípio de nossa era. O papiro foi utilizado, sobretudo na Antiguidade, o pergaminho na Idade Média, o papel, de origem chinesa, foi introduzido no Ocidente através do mundo árabe, a partir do século XI.

A fabricação do papiro foi monopólio do Egito até o século VII. A técnica de fabricação do papiro é descrita por Plínio em sua História natural: a matéria prima era o caule de um junco cultivado no vale do Nilo. As lâminas longitudinais e transversais, coladas com a água do rio, formavam as folhas que eram mandadas ao comércio cortadas em forma de rolo. Era um material bem pouco resistente. Seu uso só foi abandonado completamente no século XI. Atualmente as descobertas cada vez mais numerosas de escritos antigos em papiros renovam nosso conhecimento do mundo greco-romano e de sua escrita.
A invenção do pergaminho é atribuída pela lenda aos habitantes de Pérgamo, na Ásia Menor (pergamenun). “A matéria-prima do pergaminho é” pele de cordeiro, de bode ou de veado novo (perga¬minho). Trata-se de um suporte tão resistente e liso que a Idade Média o conservou durante muito tempo para os livros e as atas importantes, apesar da concorrência do papel. O mais remoto exemplo de pergaminho escrito é um fragmento, talvez do fim do século I. Seu uso se torna comum no século VI; do século IX ao século XII foi o material exclusivo para livros e quase o único para legislações. Em épocas de escassez de pergaminho, raspavam-se os livros antigos para transcrever novos textos (palimpsestos).

Veio da China a idéia de fabricar papel a partir ¬de trapos. Os mais antigos documentos conhecidos escritos sobre papel são textos budistas do século II. Samarkanda foi um dos grandes centros da fabricação de papel durante a alta Idade Média. Foram os árabes que introduziram esse material na Europa. O missal de Silos (perto de Burgos) é o mais antigo manuscrito europeu em papel conhecido até o presente (início do século XI). Aliás, a Espanha foi o primeiro país ocidental a ter fábricas de papel. Todos os papéis da Idade Média eram fabricados com trapos de cânhamo e de linho. Seu defeito era a fragi¬lidade, a falta de flexibilidade e, até o século XIV, o preço de custo relativamente alto. Até o início do século XIX, o papel foi fabricado unicamente à mão sobre uma fôrma. Hoje nossos papéis são tecidos de fibras vegetais das mais diversas proveniências e são fabricados em larga escala.

O suporte da escrita evidentemente reage aos caracteres da escrita; mas, no caso das três últimas substâncias, a forma desses suportes talvez tenha desempenhado um papel na evolução da letra.

O uso do papiro (e do pincel) modificou pro¬fundamente o traçado das letras nos antigos alfabetos semíticos. Na China, a descoberta do papel (e do pincel) teve como conseqüência a transforma¬ção dos caracteres, cujo desenho se afastou dos objetos que eles representavam. Discute-se na história da escrita romana se a passagem do rolo (rotulus) de papiro ao caderno ou ao livro (codex) de pergaminho provocou ou não a grande metamorfose do século III.

O material que serve para escrever teve igualmente, acabamos de perceber, uma importante influência na variação das formas gráficas. Entre as antigas escritas monumentais e os caracteres cuneiformes, de um lado, e as escritas chinesas e ociden¬tais da Idade Média, de outro, há a diferença de flexibilidade entre o cinzel, o junco cortado obliquamente, o pincel e a pena.

Para falar a verdade, os monumentos epigráficos representam a última etapa, gravada a cinzel e a martelo, de um traçado anteriormente feito a giz, carvão ou estilete. Desde a Antiguidade romana, para escrever, as pessoas se serviram, excluído o pincel dos chineses, de três instrumentos: o estilo (stilus ou graphium), haste de ferro ou de mármore com ponta para traçar os caracteres nas tabuletas de cera, o cálamo (calamus), junco cortado como nossas penas, que permaneceu em uso até o século XII, e a pena de pássaro (ganso e cisne, sobretudo), afilada e fendida, mencionada desde o século VII por Isidoro de Sevilha. O uso de penas metálica só se generalizou no século XIX.

A invenção da imprensa, no século XV, e a construção desde então de diversas "máquinas de escrever" substituíram esses instrumentos manuais por meios mecânicos de escrita. Essa revolução, cujos efeitos foram imensos no campo da cultura, teve como resultado, no campo da técnica da escrita, de algum modo, á fixação das formas. No caso da escrita latina, os sinais tipográficos, a despeito da variedade dos caracteres e das pesquisas que eles provocam, reproduzem mais ou menos a "minúscula" carolíngia do século IX.

Por fim, bem mais que os produtos minerais, giz, carvão, grafite, mina de chumbo, a tinta se tornou, desde a Antiguidade, o material comumente empregado para fixar a escrita sobre seu suporte.

Os chineses desde cedo fabricaram a tinta de fuligem, de cola e de substâncias aromáticas. Os romanos talvez tenham conhecido tintas à base de sais metálicos. As receitas da Idade Média indicam, em todo caso, composições à base de sulfato ferroso, de noz-de-galha, dissolvida em vinho, e de goma.

Os caracteres das escritas dependem, portanto, desses materiais e instrumentos. Mas para compreendê-los é preciso atentar também para a psicologia dos povos e para os costumes e gestos dos escribas. A esse respeito, temos poucas informações sobre as grandes escritas antigas. As escritas indianas parecem indiferentes ao registro material subjetivo. O exemplo da escrita latina pode dar a entender o que deve ter provavelmente ocorrido em outros casos. Veremos adiante que ocorreu no século III o que Jean Mallon chamou de "a inclinação do papel”: mudança da posição, respectivamente, da “folha” e do instrumento do escriba, mudança de hábito - inexplicável, aliás -, determinantes para a transformação essencial da escrita romana.

Chegamos assim a buscar as noções que é preciso levar em conta para poder conhecer, do ponto de vista gráfico, determinada escrita. Foi o próprio Jean Mallon quem as enunciou, a propósito da escrita latina, São elas, além do registro material subjetivo e das características internas do texto: as formas, o ângulo de escrita, o dueto, o módulo, o peso.

O aspecto exterior das letras são as formas. Em uma mesma escrita, a mesma letra pode tomar ou pode ter formas diferentes. O ângulo de escrita é a posição em que estava posto o instrumento do escriba em relação à direção da linha. Ele pode ser agudo ou, ao contrário, quase reto, e a densidade dos traços variar até a quase inversão. O dueto é a ordem em que os traços foram executados e o sentido em que cada um deles foi feito. Deve-se estabelecer como regra geral que essa ordem permanece imutável, mesmo que um traço venha a desaparecer, visto que o movimento da mão é sempre semelhante a si mesmo. O módulo indica as dimensões das formas, largura e altura, ordem de grandeza por ¬vezes simplesmente relativa. O peso depende do instrumento. Um instrumento leve faz o forte e o fraco se contrastarem, resultando numa escrita que ¬se pode chamar pesada; um instrumento duro não marca quase nenhuma diferença entre os cheios e ¬os soltos e tem como resultado uma escrita suave.

São todos esses elementos que permitem descrever graficamente uma escrita e é mediante seu estudo combinado que os paleógrafos, diz Jean Mallon, "podem esperar distinguir categorias e estabelecer filiações válidas".

2.1.4 Decifração e estudo das escritas

Essas preliminares sobre as grandes fases do desenvolvimento da escrita, por um lado e, por outro, sobre sua técnica e seus caracteres gráficos levam-nos a perceber de imediato que o estudo histórico das escritas pode ser feito, e de fato o é, segundo dois pontos de vista: o do lingüista e o do paleógrafo.

Meio de fixação da linguagem, a escrita está evidentemente ligada aos fenômenos que regem a linguagem. O grande lingüista Antoine Meillet Te faz da escrita o último capítulo de seu programa. As principais histórias da escrita, como a de James Février, são a obra de lingüistas; os conceitos de
escritas sintéticas, analíticas, silábicas, consonantais estão em relação com fenômenos lingüísticos. Contudo, uma vez "inventada", a escrita se torna um desenho que pode ter vida própria, fora da língua da qual é veículo. É quando sua história pode ser um estudo apenas das formas que evoluem em um contexto político, social e econômico. É a concepção da paleografia, não mais no sentido de ciência da "decifração das escritas antigas, mas ampliada para a prática hoje desenvolvida pelos manuais e pelos trabalhos mais recentes. Esses dois pontos de vista são. na verdade, necessariamente complementares. O instrumento escrita que parece hoje tão simples entre nossas mãos não pode ser explicado nem perfeitamente compreendido se não for desmontado nesses dois tempos.

Diante de uma escrita desconhecida, o primeiro problema que se depara é o da decifração, que pode se apresentar de várias maneiras. O caso teoricamente mais simples é o de uma escrita alfabética aplicada a uma língua próxima de um tipo conhecido. Foi assim que H. Bauer, E. Dhorme e Ch. Virolleaud decifraram rapidamente há alguns anos a escrita ugarítica, escrita conso¬nantal, de aspecto cuneiforme, notação de uma língua semítica.
O ponto de partida dessa decifração foi o isolamento da letra L, que exprime, como em hebraico e em árabe, a preposição possessiva. Um grupo de três letras terminado por L e muito freqüente nas inscrições, identificado com o nome do deus Bel, permitiu em seguida ganhar dois outros valo¬res. E assim por diante, por hipóteses e fragmentos progressivos, foram descobertos os trinta sinais desse alfabeto.

Se a língua e a escrita forem igualmente des¬conhecidas, os esforços de decifração podem se tor¬nar muito árduos, salvo na eventualidade de textos bilíngües ou de fragmentos ideográficos que possam servir de chave. Esse último caso é o da escrita cretense.

No caso de uma escrita analítica, a leitura é sempre conjetural, mesmo que as representações ideográficas permitam compreender o texto.

O caso mais comum, talvez o mais fácil, é por fim o de uma escrita que contém uma mistura de caracteres ideográficos e de sinais fonéticos. É o caso das escritas do antigo Oriente Médio, egípcia, sumero-acádica, hitita, e que deu origem aos traba¬lhos fundamentais de Champollion e dos cientistas decifradores dos caracteres cuneiformes.

O francês Champollion desvendou o segredo dos hieróglifos egípcios em 1822, fundou uma nova ciência, a egiptologia, e estabeleceu um método de decifração das escritas desconhecidas que possibi¬litou os progressos desde então alcançados.

Antes de Champollion, acreditava-se que a escrita hieroglífica era sintética, isto é, que cada um de seus caracteres correspondia a uma idéia. A descoberta, em 1799, durante uma expedição de Bonaparte ao Egito, da pedra da Roseta, contendo três versões de um mesmo texto, hieroglífico, demótico (escrita corrente a partir do século VII a, C,) e grego, em honra de Ptolomeu Epífanes (205-181 a, C,), forneceu a chave do sistema. O inglês Young conseguiu ler o conteúdo do "cartucho" que continha o nome de Ptolomeu. Mas a genialidade de Champollion (1790¬ – 183) foi demonstrar pelo raciocínio que os hieróglifos tinham em parte um valor fonético. Convencido, por outro lado, de que a língua copta era o prolongamento da antiga língua egípcia, ele procurou palavras coptas escritas alfabeticamente. As transcrições gregas o levaram enfim à via dos nomes das divindades e dos nomes próprios. Suas transcrições e traduções, feitas com segurança e elegância com base nessas premissas, abriram à história séculos inteiros de civilização até então ignorados.
As escritas chamadas cuneiformes, persas e sumero-acádicas foram decifradas mais tardiamente, graças aos constantes esforços dos cientistas Münter, Grotefend, Rawlinson, de Saulcy, Longpérier e Oppert. Sua leitura estava mais ou menos assegurada por volta de 1855.

Faltou aqui um texto bilíngüe como a pedra de roseta. O ponto de partida foi fornecido pelas ins¬crições de Persépolis, de época recente, que notava por meio de um alfabeto de cerca de quarenta sinais uma língua indo-européia. A escrita sumero-acádica foi de decifração muito mais difícil, pois notavam, para começar, uma língua mal conhecida, com ideogramas, determinativos e sinais silábicos e depois, emprestada, como veremos, por uma língua semítica.

Mesmo depois de feita a decifração, por meio da utilização de recursos da lingüística e de um espírito de observação e de engenhosidade, a leitura das escritas antigas é sempre difícil porque apresenta outros problemas de evolução gráfica. É quando intervêm a epigrafia e a paleografia.
A epigrafia é etimologicamente a ciência do que está escrito sobre. De fato, ela só se ocupa do que esta escrito sobre materiais duráveis; e se ela se interessa pela escrita enquanto tal e estabelece regras que regem a leitura e a interpretação das inscrições é apenas para ir ao texto, propósito essencial de seu estudo, que penetra para além dos mais diversos campos da história.

A paleografia, segundo a etimologia, ciência das escritas antigas, restringiu seu campo durante muito tempo às escritas traçadas sobre materiais perecíveis. Mas, na realidade, ela não pode se desinteressar dos outros monumentos da escrita, o que provoca uma aproximação entre a paleografia e a epigrafia. Ela visa a um duplo objetivo: a leitura prática das escritas hoje fora de uso corrente e o estudo da evolução dessas escritas através dos séculos. Há uma paleografia das escritas orientais. Pudemos recentemente escrever um ensaio de paleografia cuneiforme. Mas o grande campo da paleografia é, pela abundância de materiais, pelo interesse imediato pelos estudos históricos, filológicos e literários e pela amplidão das questões debatidas, o das escritas gregas e latinas; e, nesse campo, ela se liga estreitamente a disciplinas como a papirologia, a diplomática e a codicologia.

Um método da epigrafia começou a se esboçar na França nos séculos XVII e XVIII, com o padre Sirmond (+1651) J. -F. Séguier (+ 1784), e na Itália, com S.Maffei (+ 1755). Mas foi B. Borghesi (+ 1860) quem fixou suas regras essenciais. A Academia de Berlim iniciou a publicação de coletâneas gerais de inscrições no Século XIX: inscrições gregas a partir de 1828, inscrições latinas a partir de 1863. Os tratados de epigrafia de S. Reinach (1855) e de R. Cagnat (1886) marcaram época no avanço desses estudos. Infelizmente as transcrições do Corpus não foram fac-similadas e, por conseqüência, não são facilmente utilizáveis pela paleografia.

Os fundadores da paleografia foram dois beneditinos franceses da congregação de Saint¬-Maur: Jean Mabillon (+ 1707), para a paleografia latina, em seu De re diplomatica (1861); Bernard de Momfaucon (+ 1741), para a paleografia grega, com seu Palaeographia graeca (1708). A doutrina foi estabelecida por dom Tassin e dom Toustain em seu Nouveau traité diplomatique (1760-1765). Mas os estudos paleográficos avançaram, sobretudo, na segunda metade do século XIX, com a criação em Paris em 1821, da Escola de Chartres e com o ensino especializado em Viena (1854), em Florença (1857), em Roma, em Heildelberg e nas grandes universidades e graças à possibilidade de reprodução fotográfica dos documentos. Esses progressos foram balizados pelos trabalhos e pelos manuais, impossível citá-los todos aqui por seus títulos, de N. de Wailly, L. Deslile, W. Wattenbach, L. Traube, C. Paoli, M. Prou, E. M. Thompson e, mais recente¬mente, de E. A. Lowe, G. Battelli, j. Mallon, Ch. Samaran e R. Manchal. Contudo, podemos lamentar que a paleografia grega e a paleografia latina tenham sido mantidas a grande distância uma da outra desde sua fundação. Veremos, enfim, que os quadros e as noções tradicionais da paleografia latina, estabele¬cidos pelos beneditinos, são questionados pela escola paleográfica francesa. O ensino da paleografia continua a ser feito na França pela Escola Nacional de Chartres, mas também é dado na École Pratique des Hautes Études e nas universidades.
A história da escrita tem um campo imenso e muito variado. Quem poderia se gabar de conhecê¬-la ou mesmo de poder percorrê-la toda? Ela se especializa em múltiplos cantões que limitam com outras disciplinas que suas descobertas quase sempre contribuíram para promover: a assiriologia, a egiptologia, a sinologia, o indianismo, o america¬nismo, os estudos semíticos e árabes, os estudos an¬tigos e medievais. Mas ela também solicita a cola¬boração da filologia, da etnologia, da psicologia e da história e serve, por sua vez, a cada uma dessas ciên¬cias. A escrita, fundamento da civilização, está no fundamento das ciências humanas.

ATENÇÃO

1 - Este material, parte I, foi produzido pelo Prof. Jorge Luiz Malkomes Muniz com base na ementa da Disciplina História da Comunicação, para complementar informações destinadas aos alunos do Curso de JORNALISMO da FAC - 1° Semestre –

2 – Terá prosseguimento com os seguintes temas para estudo:

I - O SURGIMENTO E EVOLUÇÃO DOS VEÍCULOS IMPRESSOS
II - A IMPRENSA NA ERA MODERNA E CONTEMPORÂNEA
III - MEIOS AUDIOVISUAIS: EXPANSÃO E TRANSFORMAÇÕES
IV - A COMUNICAÇÃO IMPRESSA E RADIOFÔNICA NO BRASIL E NO CEARÁ

HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO - APOSTILA Parte I

Prof. Jorge Luiz Malkomes Muniz
Introdução:

Abordar uma sinopse histórica sobre comunicação não é tarefa fácil, nem é obviamente o nosso objetivo, nesta apostila, que pretende apenas apresentar uma perspectiva evolutiva dos inúmeros conceitos sobre a comunicação.
Nesta resenha, necessariamente incompleta, destacamos que para conhecermos e estudarmos a história da comunicação não condiz iniciarmos os estudos pelas teorias de comunicação de massa, pela história crítica nem pela já história da internet ou dos veículos outros de comunicação, embora as teorias sobre o tema comunicação (que gerou a disciplina Teorias da Comunicação), estejam intrinsecamente dentro da história, conseqüentemente, a disciplina História da Comunicação. Se por um lado a noção de comunicação constitui problema, a de teoria da comunicação também não é diferente.
A definição e o estatuto da teoria, tal quais as inúmeras ciências do homem e da sociedade, divergem-se com muita força, de uma escola para outra, de uma teoria do conhecimento para outra.


Nossas anotações terão início com os homens na pré-história, como acontece a própria comunicação em algumas linguagens, pois desde o início o homem tenta se comunicar com os seus semelhantes. Não tendo condições de um estudo abrangente, tentaremos mostrar a forma, em algumas vertentes, do modo como essa comunicação tem variado e sofrido adequações tecnológicas, psicológicas e comportamentais ao longo dos séculos.

Estudar comunicação não se restringe ao intercâmbio entre as pessoas, intercâmbio este que só se realiza através do próprio processo de COMUNICAÇÃO. Tanto que ela não se limita apenas a tornar possível a circulação social de bens e serviços. A comunicação tem o seu próprio produto que nos últimos tempos se transformou em uma grande indústria e num grande comércio, que movimenta muitos milhões de dólares por ano. Ela preside, rege, todas as relações humanas, tornando possível a própria vida em sociedade, produzindo e vendendo uma mercadoria cada vez mais valiosa, porém imaterial – A INFORMAÇÃO.

Aristóteles definiu o estudo da retórica (comunicação) como a procura de “todos os meios disponíveis de persuasão”


1. CONCEITO DE COMUNICAÇÃO

Vida é comunicação!
O ser humano tem necessidade imperiosa de externar seus sentimentos ou idéias. Só o ser humano se comunica através da língua como código.
Ninguém consegue definir com precisão comunicação. São inúmeros, os fundamentos científicos da comunicação. Fundamentos Biológicos, antropológicos, psicológicos, sociológicos, lingüísticos e filosóficos.
O verbo, que vem do latim communicare, significava fazer saber, tornar comum. Quando comunico algo, alguma coisa, a alguém, essa coisa se torna comum a ambos. Publicar esta apostila, publicar uma notícia passa a fazer parte da comunidade.
A noção de comunicação recobre uma multiplicidade de sentidos, nos informa Armand e Michèle Mattelart, in História das teorias da comunicação, introdução.

Etimologicamente a palavra sugere um conceito social na sua origem. E será através deste prisma que iremos abordar comunicação, pois diz “respeito ao homem e por extensão a seres vivos que mantenham relações sociais entre si. Em segundo lugar, trata-se em princípio de um fenômeno concreto, objetivo, que ocorre quando um ser A transfere informação para um ser B. Em terceiro lugar, a comunicação seria um processo ativo, ou seja, envolve na sua essência um propósito (ainda que genericamente programado) que é o de um ser influenciar outro ser, modificar seu comportamento, obter uma resposta. Em quarto lugar, a tendência da relação comunicativa a se fechar em círculo, ou mais propriamente a evoluir segundo uma espiral de influências recíprocas e sucessivas. Essas características do ato comunicativo estão reunidas na mais típica forma de comunicação, a humana, na sua modalidade mais típica, a falada”. (PEREIRA, José Haroldo. Curso Básico de Teoria da Comunicação).


2. A COMUNICAÇÃO ORAL E OS PRIMEIROS REGISTROS DA LINGUAGEM ESCRITA.

Dentre os tipos de linguagem: iconográfica (ex. Windows), pictórica; das pinturas, a simbólica; sinais de trânsito, a literária; textos literários, as danças etc., destacaremos inicialmente a linguagem oral, com algumas breves considerações e a seguir a linguagem escrita.

Então, enquanto a linguagem, como faculdade natural, é um todo heterogêneo, a língua é de natureza homogênea – sistema de signos (código) convencionais e arbitrários. Ela tem caráter comunitário e veio evoluindo em paralelo com a espécie humana. “A linguagem tem um lado individual e um lado social, sendo impossível conceber um sem o outro. ” Já a compreensão da fala, que é individual, veio da evolução do hemisfério esquerdo do cérebro humano.

O Homo Erectus


(400 mil anos atrás) não tinha o centro de fala muito desenvolvido e se comunicava através de grunhidos, gestos e verdadeiras rosnadas.
A produção de Linguagem oral verificou-se na época do Neandertal que cremos, segundo pesquisas, ter o hemisfério esquerdo do cérebro minimamente desenvolvido. Ao surgir o Homo Sapiens, fisicamente mais adaptado para a produção da fala, veio também uma grande evolução das linguagens, com múltiplas formas de expressão, e da fala, que volto a enfatizar, é individual. Cada ser humano possui um repertório próprio para se expressar verbalmente.
Para além da linguagem e da fala, o homem primitivo deixou-nos ainda outro legado: as pinturas rupestres e o registro dos hieróglifos (ou hieroglifos).
Em 3000 A.C., dá-se o surgimento da escrita pelos Sumérios na Mesopotâmia sobre a forma cuneiforme e pouco depois, um pouco pela influência da Suméria, surgem os hieróglifos egípcios e a escrita na Índia. Apesar de tudo, a escrita suméria era feita por símbolos que tinham um significado, e podia ser lida apenas de uma forma muito vaga. Na 1º metade do 2º milênio a.c. surgiram as linguagens logo-silábicas na Anatólia, vale Indu e China. Os Gregos, no ano de 800 A.C. é que dão o passo de separar as consoantes das vogais e chegam a um alfabeto completo.

2.1. A ESCRITA, EXPRESSÃO GRÁFICA DA LINGUAGEM

2.1.1 Escrita e civilização

Segundo a definição de um de nossos mais eruditos mestres, a escrita é, acima de tudo, “um procedimento do qual atualmente nos servimos para imobilizar, para fixar a linguagem articulada, por essência fugidia”. Diante de sua necessidade de um meio de expressão permanente, o homem primitivo recorre a engenhosos arranjos de objetos simbólicos ou sinas materiais, nós, entalhes, desenhos. Em nossos dias, a reprodução em disco ou fita magnética, outro procedimento de fixação da linguagem, mais direto que a escrita, começa a concorrer com ela.

Contudo, a escrita é mais que um instrumento. Mesmo emudecendo a palavra, ela não apenas a guarda, ela realiza o pensamento que até então permanece em estado de possibilidade. Os mais simples traços desenhados pelo homem em pedra ou papel não são apenas um meio, eles também encerram e ressuscitam a todo momento o pensamento humano. Para além de modo de imobilização, muda certamente, a escrita é uma nova linguagem, muda certamente, mas, segundo a expressão de L. Febvre, “centuplicada”, que disciplina o pensamento e, ao transcrevê-lo, o organiza.
A escrita faz de tal modo parte de nossa civilização que poderia servir de definição dela própria. A história da humanidade se divide em duas imensas eras: antes e a partir da escrita. Talvez venha o dia de uma terceira era que será: depois da escrita. Vivemos os séculos da civilização escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se sobre o escrito. A lei escrita substituiu a lei oral, o contrato escrito substituiu a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à tradição lendária. E, sobretudo não existe história que não se funde sobre textos.

Desse modo, a escrita é ao apenas um procedimento destinado a fixar a palavra, um meio de expressão permanente, mas também dá acesso direto ao mundo das idéias, reproduz bem a linguagem articulada, permite ainda apreender o pensamento a fazê-lo atravessar o espaço e o tempo. É o fato social que está na própria base de nossa civilização. Por isso a história da escrita se identifica com a história dos avanços do espírito humano.

Não há dúvida de que é preciso chegar a essas definições para dar à ciência das escritas o lugar que ela merece no conjunto das ciências históricas, mesmo que se queira ver nela apenas, como será nosso propósito, o estudo de uma técnica.

2.1.2 Escrita e linguagem

Para que haja escrita, “é preciso inicialmente um conjunto de sinais que possua um sentido estabelecido de sinais que possua um sentido estabelecido de antemão por uma comunidade social e que seja por ela utilizado” e “em seguida é preciso que esses sinais permitam gravar e reproduzir uma frase falada” (J. Février). A aquisição desse simbolismo e desse esquematismo se faz por séries de desenvolvimentos mais ou menos lentos e acabados segundo a mentalidade e a língua das sociedades em que são operados. Conservando apenas as grandes linhas, podemos distinguir, porém, entre as tentativas primitivas e nosso sistema alfabético, três etapas essenciais: escritas sintéticas, analíticas e fonéticas.

A humanidade primitiva utilizou esses meios de expressão momentânea que ainda subsistem entre alguns povos: o tambor utilizado na África Ocidental e na Melanésia para transmitir notícias rapidamente em código sonoro, ou a linguagem dos gestos e das mãos que subsiste entre os índios da América do Norte e os chineses. Esses gestos de mão por vezes forneceram modelos para os sinais ideográficos da escrita. A disposição ou o envio de objetos, grãos, tochas, penas ou flechas também se tornaram meios de expressão simbólica e o são até hoje na Malásia ou na África central. A utilização de cordinhas com nós e de bastões com entalhes para o cálculo, a cronologia e a transmissão de notícias representa um progresso em relação a esses meios primitivos. Os quippus dos incas do Peru eram cordinhas com fios de cores diferentes e nós que serviam para fazer contas. Todas as civilizações primitivas, da Escandinávia antiga até a Austrália, também utilizaram os bastões entalhados como mensagem ou como meio mnemotécnico.

No entanto, mesmo que isso tudo dê testemunho os esforços para conservar ou comunicar alguns elementos da palavra ou do pensamento, só chegaremos realmente ao estágio embrionário da escrita com as primeiras tentativas de representação gráfica. Os desenhos mágicos das grutas da época aurignaciana e madaleniana que representam animais atingidos por flechas ou marcados por manchas de sangue contêm em germe “algo que se assemelha a rudimentos de escrita; eles exprimem, se não uma idéia, pelos menos um desejo”. As pinturas rupestres de sítios pré-históricos da Península Ibérica mostram de era em era uma estilização que também faz pensar em uma evolução rumo à escrita. Os desenhos incisos em pedra, os chamados petroglifos, encontráveis um pouco por toda a parte, da Europa às ilhas do Pacífico também preparam, por sua simbologia ritual (árvores, animais, rodas, cruzes, sinais geométricos), a eclosão da escrita sintética.

A mentalidade do primitivo não lhe permite desenvolver a decomposição da frase, que postula a reprodução gráfica, mentalidade do primitivo não lhe permite desenvolver a decomposição da frase, que postula a reprodução gráfica, para além da sucessão de idéias que ela contém. Por isso o estágio mais elementar da escrita é aquele em que um sinal ou um grupo de sinais serviu para sugerir uma frase inteira ou as idéias contidas numa frase. São esboços desse tipo que são chamados de escritas sintéticas ou ainda, segundo o termo alemão, Ideenschrift, escrita de idéias. Como o número desses sinais é limitado, enquanto o das idéias e das frases é infinito, a leitura dessas escritas depen¬de a maior parte do tempo de rebus .

Os indígenas da Sibéria oriental e do Alasca, os esquimós e os índios da América do Norte empre¬garam até muito recentemente esse sistema de no¬tação por imagens. As faixas (wampuns) dos iro¬queses e dos algonquinos, com suas figuras tecidas e suas conchas coloridas, e os winter counts desenhados sobre couro de bisão pelos dacotas também conservam curiosos exemplos desse sistema. As antigas escritas da América Central, maia e asteca, estão muito próximas desse estágio da ideografia.

Um progresso incalculável se deu quando se atingiu a decomposição da frase em seus elementos, as palavras. Doravante cada sinal passou a servir para notar uma palavra. A passagem da escrita sintética para essa nova notação deve ter sido bastante complicada, pois é bastante difícil isolar a palavra falada da frase; mas foi exatamente nesse estágio que a escrita nasceu. Como saber qual foi a primeira língua na qual essa transformação se deu? Veremos que as escritas suméria, egípcia e chinesa são as mais antigas que conhecemos na categoria das escritas ditas analíticas ou Wortschrift, ou seja, escrita de palavras.

Da notação das palavras, o homem enfim passou à notação dos sons. Seja de sinais ou de palavras, isso realmente supõe um considerável estoque de sinais e, conseqüentemente, uma imensa memória visual para a leitura. Se fizermos a notação apenas dos elementos fonéticos que constituem as palavras, obteremos um material gráfico infinita¬mente mais restrito. Chegamos então às escritas fonéticas. A escrita fonética é silábica ou alfabética, de acordo com o grau de trabalho da análise que essa nova evolução implica. Há poucos exemplos de escritas puramente silábicas, mas o silabismo existia entre as populações sírias e mediterrâneas desde o segundo milênio antes de nossa era. A distinção entre consoantes e vogais dentro das sílabas e a notação de cada consoante por um sinal distinto levaram, depois de muitas tentativas, ao alfabeto consonantal fenício de meados do segundo milênio. o ancestral de todos os alfabetos verdadeiros, especialmente do nosso, por meio do alfabeto grego.

Nesta História concisa da escrita, distinguiremos apenas os dois grandes sistemas não-alfabéticos e alfabéticos, reservando lugar de destaque, entre os sistemas alfabéticos, à escrita latina, que se tomou o instrumento definitivo do pensamento ocidental e o meio de expressão por excelência do mundo moderno.
Segue

quinta-feira, 1 de março de 2007

Assuntos que serão contemplados na avaliação

Disciplina: História da Comunicação – Turmas JJ12 [12/3-Hr.AB]

Ementa: A comunicação oral e os primeiros registros da linguagem.

Conteúdo: Os tipos de comunicação, os elementos que a compõem (quais são e seus respectivos papéis), os tipos de linguagem, a língua e a fala.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Efemérides

NOTAS
24-02
Tendo como redatores principais Belém Sobrinho e José Benevenuto, começou a circular a “Gazeta do Crato”, naquela cidade caririense (1904)
25-02
Nesta data faleceu o pioneiro do jornalismo no interior cearense, o qual, nascido em Alagoas, fiou residência na então vila do Aracati, onde publicou “O Clarim da Liberdade”. Chamava-se Joaquim Emílio Aires (1850)
26-02
Na cidade do Crato começou a circular a “Folha da Semana” (1948)
Fonte: Nobre, Geraldo da Silva, Introdução à História do Jornalismo Cearense

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

História da Comunicação e falar em público

1.INTRODUÇÃO
Comunicação, falar em público, oratória, processo de transmissão e recepção de idéias, informação e mensagens. Nos últimos 150 anos, e especialmente nas duas últimas décadas, a redução dos tempos de transmissão da informação a distância e de acesso a ela é um dos desafios essenciais de nossa sociedade.
A comunicação atual entre duas pessoas é o resultado de métodos múltiplos de expressão, desenvolvidos ao longo de séculos. Os gestos, o desenvolvimento da linguagem e a necessidade de interagir exercem aqui um papel importante.
2.LINGUAGEM
Para alguns, a origem da linguagem resulta de atividades de grupo, como o trabalho e a oratória cotidiana; para outros, a linguagem se desenvolveu a partir de sons básicos que acompanhavam os gestos, seja o falar em público (apesar do medo de falar em público de muitos), como o falar escrito. Neste contexto se insere também a retórica (argumentação).
3.SÍMBOLOS E ALFABETOS
Os povos antigos buscavam meios para registrar a linguagem oral (oratoria cotidiana); no começo, isso se fazia com signos e símbolos. À medida que o conhecimento humano foi se desenvolvendo, tornou-se necessária a escrita para transmitir informação da expressão verbal, ou seja, o falar em público. A primeira escrita foi a cuneiforme. Depois, desenvolveram-se elementos ideográficos, nos quais o símbolo representava não só o objeto, mas também idéias e qualidades associadas a ele. Mais tarde, a escrita cuneiforme incorporou elementos fonéticos, isto é, signos que representavam determinados sons. O alfabeto se originou no Oriente Médio e os fenícios o introduziram na Grécia, onde lhe foram acrescentados os sons das vogais.
O desenvolvimento da civilização e das línguas escritas fez surgir também a necessidade de comunicar-se a distância de forma regular, a fim de facilitar o comércio entre diferentes nações e impérios. Com o aparecimento do papel, no século XI, e, mais tarde, da imprensa, no século XV, ampliaram-se as possibilidades de estudo, o que provocou mudanças radicais na forma de viver dos povos, e do como falar em público.
Nos séculos seguintes, as técnicas e aplicações da impressão se desenvolveram, em geral, com grande rapidez, mesmo existindo o medo de falar em público. Isso se deveu sobretudo à introdução das máquinas a vapor nas gráficas, no início do século XIX, e, posteriormente, à invenção das máquinas tipográficas (ver Sistemas de edição).
Para atender à necessidade de comunicação a distância, surgiram os serviços postais, que no século XX se fizeram acompanhar do telégrafo, do telefone e do rádio. A TV disseminou a retórica e a oratória (falar em público).


Desenvolvimento dos alfabetos
O alfabeto semítico setentrional, aceito universalmente como o primeiro alfabeto conhecido, deu lugar no devido momento ao alfabeto grego, que, por sua vez, sofreu modificações para formar tanto o cirílico quanto o romano. Os alfabetos cirílico e romano são utilizados em muitos idiomas europeus e bálticos.

4.TRANSMISSÃO DE IMAGENS
Os primeiros manuscritos eram ilustrados com iluminuras de desenho muito elaborado. No fim do século XV, começaram a ser utilizadas gravuras em madeira; e, já no século XVIII, inventou-se a litografia, que possibilitou a reprodução em massa. No século XIX, surgiu a fotografia, o cinetoscópio (máquina para projetar imagens em movimento) e o cinematógrafo. No século XX, o aparecimento da televisão constituiu um marco no campo da transmissão de imagens.
5.COMPUTADORES
Um dos mais espetaculares avanços dentro das comunicações — comunicação de dados — produziu-se no campo da tecnologia dos computadores. Os computadores digitais, desde seu aparecimento, na década de 1940, foram introduzidos nos países desenvolvidos em praticamente todas as áreas da sociedade (indústrias, escritórios, hospitais, escolas, transportes, residências, estabelecimentos comerciais). Mediante a utilização das redes informáticas e dos dispositivos auxiliares, o usuário de um computador pode transmitir dados com grande rapidez.
6.COMUNICAÇÕES E INTERCÂMBIO CULTURAL
Ao longo da história, os meios de comunicação foram avançando paralelamente à crescente capacidade dos povos para configurar seu mundo físico e a um também crescente grau de interdependência. A revolução das telecomunicações e da transmissão de dados impeliu o mundo para o conceito de “aldeia global”. E o medo de falar em público foi vencido pela oratória.